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Didasteia Textos da Igreja Primitiva em português

Sinopse

As mesmas palavras e os mesmos fatos contados por mais de um texto, lado a lado: os quatro Evangelhos entre si e, quando há, os ecos deles nos escritos mais antigos fora do Novo Testamento — a Didaquê, Clemente de Roma, Barnabé e os evangelhos apócrifos. Ligue o destaque para ver as palavras que os textos têm em comum.

O nascimento de Jesus

Mateus conta pelo lado de José; Lucas, a partir do recenseamento. O Evangelho da Infância de Tiago, apócrifo do século II, amplia a cena com a gruta, a nuvem e a luz — detalhes que passaram para a arte e a piedade cristãs, sem entrar no cânon das Escrituras.

Mt 1,18-25 Evangelho de Mateus

18Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.

19José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente.

20Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.

21Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”.

22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:

23Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco.

24Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.

25E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.

Lc 2,1-7 Evangelho de Lucas

1Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra.

2Esse recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria.

3Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade.

4Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,

5para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida.

6Estando eles ali, completaram-se os dias dela.

7E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.

Infância de Tiago 19 Evangelho da Infância de Tiago · séc. II Apócrifo

E pararam no lugar da gruta, e eis que uma nuvem luminosa cobria a gruta com a sua sombra. E a parteira disse: “A minha alma foi engrandecida neste dia, porque os meus olhos viram coisas extraordinárias: nasceu a salvação para Israel”. E logo a nuvem se retirou da gruta, e uma grande luz brilhou dentro da gruta, de modo que os olhos não a podiam suportar. E, pouco a pouco, aquela luz foi diminuindo, até que apareceu o menino, que veio e tomou o peito de sua mãe, Maria.

O batismo de Jesus

Os quatro Evangelhos narram a descida do Espírito sobre Jesus. O Evangelho dos Hebreus, que só conhecemos por citações dos Padres, guardou uma versão em que o Espírito fala ao Filho; o trecho foi conservado por Jerônimo.

Mt 3,13-17 Evangelho de Mateus

13Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele.

14João recusava-se: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!”.

15Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa”. Então, João cedeu.

16Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus.

17E do céu baixou uma voz: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição”.

Mc 1,9-11 Evangelho de Marcos

9Ora, naqueles dias veio Jesus de Nazaré, da Galileia, e foi batizado por João, no Jordão.

10No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele.

11E ouviu-se dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição”.

Lc 3,21-22 Evangelho de Lucas

21Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu

22e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: “Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição”.

Jo 1,32-34 Evangelho de João

32(João havia declarado: “Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele”.)

33Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar com água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.

34Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus”.

Evangelho dos Hebreus (em Jerônimo) Evangelho dos Hebreus · séc. I Apócrifo

E aconteceu que, quando o Senhor subiu da água, toda a fonte do Espírito Santo desceu e repousou sobre ele e lhe disse: Meu filho, em todos os profetas eu te esperava, para que viesses e eu repousasse em ti. Pois tu és o meu repouso, tu és o meu filho primogênito, que reinas para sempre.

As tentações no deserto

Marcos resume em duas frases; Mateus e Lucas narram as três tentações, em ordem diferente: em Lucas, a última acontece em Jerusalém, a cidade onde o Evangelho dele culmina.

Mt 4,1-11 Evangelho de Mateus

1Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.

2Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.

3O tentador aproximou-se dele e lhe disse: “Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães”.

4Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Dt 8,3).

5O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:

6“Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra” (Sl 90,11 s).

7Disse-lhe Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16)”.

8O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:

9“Eu te darei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares”.

10Respondeu-lhe Jesus: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13)”.

11Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

Mc 1,12-13 Evangelho de Marcos

12E logo o Espírito o impeliu para o deserto.

13Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.

Lc 4,1-13 Evangelho de Lucas

1Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,

2onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante esse tempo ele nada comeu e, terminados esses dias, teve fome.

3Disse-lhe então o demônio: “Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão”.

4Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra de Deus (Dt 8,3)”.

5O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe em um só momento todos os reinos da terra,

6e disse-lhe: “Eu te darei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.

7Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu”.

8Jesus disse-lhe: “Está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e a ele só servirás” (Dt 6,13).

9O demônio levou-o ainda a Jerusalém, ao ponto mais alto do templo, e disse-lhe: “Se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

10porque está escrito: Ordenou aos seus anjos a teu respeito que te guardassem.

11E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires o teu pé nalguma pedra” (Sl 90,11 s).

12Jesus disse: “Foi dito: Não tentarás o Senhor, teu Deus” (Dt 6,16).

13Depois de tê-lo assim tentado de todos os modos, o demônio apartou-se dele até outra ocasião.

O amor aos inimigos

A Didaquê, escrita talvez ainda no século I, reúne palavras do Sermão da Montanha numa forma próxima da de Mateus e da de Lucas, com acréscimos próprios, como “jejuai pelos que vos perseguem”.

Mt 5,38-48 Evangelho de Mateus

38Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.

39Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.

40Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.

41Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.

42Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.

43Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.

44Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.

45Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.

46Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?

47Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isso também os pagãos?

48Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.”

Lc 6,27-36 Evangelho de Lucas

27Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,

28abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam.

29Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. E ao que te tirar a capa, não impeças de levar também a túnica.

30Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.

31O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.

32Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.

33E se fazeis bem aos que vos fazem bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores.

34Se emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.

35Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus.

36Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.

Didaquê 1,3-5 Didaquê · séc. I

E o ensinamento destas palavras é este: abençoai os que vos amaldiçoam, orai pelos vossos inimigos e jejuai pelos que vos perseguem. Pois que recompensa há em amar os que vos amam? Não fazem os gentios o mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam, e não tereis inimigos.

[…]

Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra, e serás perfeito. Se alguém te obrigar a caminhar uma milha, caminha com ele duas. Se alguém te tirar a capa, dá-lhe também a túnica. Se alguém te tirar o que é teu, não o peças de volta, pois nem o podes.

O Pai-Nosso

Mateus traz a forma longa, que a Igreja reza; Lucas, uma forma mais breve. A Didaquê dá a oração quase como Mateus, com o louvor final (“pois vosso é o poder e a glória”), e manda rezá-la três vezes ao dia.

Mt 6,9-13 Evangelho de Mateus

9Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;

10venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.

11O pão nosso de cada dia nos dai hoje;

12perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;

13e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Lc 11,2-4 Evangelho de Lucas

2Disse-lhes ele, então: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino;

3dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento;

4perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam; e não nos deixeis cair em tentação”.

Didaquê 8,2-3 Didaquê · séc. I

Nem oreis como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em Seu Evangelho, assim:

Pai Nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal; pois vosso é o poder e a glória para sempre.

Orai assim três vezes ao dia.

A medida com que medirdes

Clemente de Roma, escrevendo aos coríntios por volta do ano 96, cita “as palavras do Senhor Jesus” numa forma que não coincide exatamente com nenhum Evangelho: talvez de memória, talvez de uma coleção de ditos.

Mt 7,1-2 Evangelho de Mateus

1“Não julgueis, e não sereis julgados.

2Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.

Lc 6,36-38 Evangelho de Lucas

36Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.

37Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;

38dai, e vos será dado. Será colocada em vosso regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”.

1 Clemente 13,2 1 Clemente · séc. I

pois assim falou: Sede misericordiosos, para alcançardes misericórdia; perdoai, para que vos seja perdoado. Como fizerdes, assim vos será feito. Como derdes, assim vos será dado. Como julgardes, assim sereis julgados. Como fordes bondosos, assim se usará de bondade convosco. Com a medida com que medirdes, sereis medidos.

A regra de ouro

Os Evangelhos dão a regra na forma positiva: fazei aos outros. A Didaquê a dá na forma negativa, conhecida também na tradição judaica: não faças ao outro.

Mt 7,12 Evangelho de Mateus

12Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a Lei e os profetas.

Lc 6,31 Evangelho de Lucas

31O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.

Didaquê 1,2 Didaquê · séc. I

segundo, ama o teu próximo como a ti mesmo, e não faças ao outro o que não gostarias que fizessem a ti.

Os dois caminhos

A imagem dos dois caminhos vem do Antigo Testamento (Dt 30,15; Sl 1) e abre tanto a Didaquê quanto a parte final da Epístola de Barnabé, que parecem depender de um mesmo texto mais antigo.

Mt 7,13-14 Evangelho de Mateus

13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram.

14Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.

Didaquê 1,1 Didaquê · séc. I

Há dois caminhos, um da vida e outro da morte, mas há uma grande diferença entre os dois.

Barnabé 18,1 Epístola de Barnabé · séc. I

Há dois caminhos de ensinamento e de poder: um da luz e outro das trevas. Mas há grande diferença entre estes dois caminhos.

Não deis aos cães o que é santo

A Didaquê aplica a palavra de Jesus à Eucaristia: só os batizados podem recebê-la.

Mt 7,6 Evangelho de Mateus

6Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.

Didaquê 9,5 Didaquê · séc. I

Mas que ninguém coma ou beba da vossa Eucaristia, a menos que tenha sido batizado em nome do Senhor; porque a respeito disso também o Senhor disse: “Não deis aos cães o que é santo”.

A confissão de Pedro

Os três Evangelhos sinóticos trazem a pergunta e a resposta; só Mateus traz a promessa a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.

Mt 16,13-20 Evangelho de Mateus

13Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?”.

14Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas”.

15Disse-lhes Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?”

16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”.

17Jesus, então, lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.

18E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

20Depois, ordenou aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.

Mc 8,27-30 Evangelho de Marcos

27Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: “Quem dizem os homens que eu sou?”.

28Responderam-lhe os discípulos: “João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas”.

29Então, perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Respondeu Pedro: “Tu és o Cristo”.

30E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele.

Lc 9,18-21 Evangelho de Lucas

18Num dia em que ele estava a orar a sós com os discípulos, perguntou-lhes: “Quem dizem que eu sou?”.

19Responderam-lhe: “Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas”.

20Perguntou-lhes, então: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.

21Ordenou-lhes energicamente que não o dissessem a ninguém.

A transfiguração

Além dos três sinóticos, a Segunda Epístola de Pedro lembra a cena como testemunho ocular: “nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo”.

Mt 17,1-9 Evangelho de Mateus

1Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha.

2Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.

3E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.

4Pedro tomou, então, a palavra e disse-lhe: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias”.

5Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: “Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-o”.

6Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.

7Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: “Levantai-vos e não temais”.

8Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.

9E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: “Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos”.

Mc 9,2-10 Evangelho de Marcos

2Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E

3transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.

4Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.

5Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.

6Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados.

7Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”.

8E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles.

9Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do Homem houvesse ressurgido dos mortos.

10E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos”.

Lc 9,28-36 Evangelho de Lucas

28Passados uns oito dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar.

29Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.

30E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias,

31que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém.

32Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.

33Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: “Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!...”. Ele não sabia o que dizia.

34Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.

35Então, da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o!”.

36E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto. (Mt 17,14-20 = Mc 9,14-29)

2Pd 1,16-18 2 Pedro

16Na realidade, não é baseando-nos em hábeis fábulas imaginadas que nós vos temos feito conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a sua majestade com nossos próprios olhos.

17Porque ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando do seio da glória magnífica lhe foi dirigida esta voz: “Este é o meu Filho muito amado, em quem tenho posto todo o meu afeto”.

18Essa mesma voz que vinha do céu nós a ouvimos, quando estávamos com ele no monte santo.

Perdoar setenta vezes sete

O Evangelho dos Hebreus, citado por Jerônimo, conserva a mesma palavra, com um diálogo próprio entre Jesus e Simão.

Mt 18,21-22 Evangelho de Mateus

21Então, Pedro se aproximou dele e disse: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”

22Respondeu Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.

Lc 17,3-4 Evangelho de Lucas

3Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe.

4Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: ‘Estou arrependido’, lhe perdoarás.”

Evangelho dos Hebreus (em Jerônimo) Evangelho dos Hebreus · séc. I Apócrifo

Se o teu irmão (diz ele) pecou por palavra e te deu satisfação, recebe-o sete vezes por dia. Simão, seu discípulo, disse-lhe: Sete vezes por dia? O Senhor respondeu e disse-lhe: Sim, eu te digo: até setenta vezes sete. Pois também nos profetas, depois que foram ungidos pelo Espírito Santo, se encontrou palavra de pecado.

O jovem rico

Na versão do Evangelho dos Hebreus, conservada numa tradução latina de Orígenes, são dois os ricos, e Jesus repreende o segundo por não cuidar dos irmãos que morrem de fome.

Mt 19,16-22 Evangelho de Mateus

16Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?”. Disse-lhe Jesus:

17“Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”. –

18“Quais?” – perguntou ele. Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho,

19honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo”.

20Disse-lhe o jovem: “Tenho observado tudo isso desde a minha infância. Que me falta ainda?”.

21Respondeu Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!”.

22Ouvindo essas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.

Mc 10,17-22 Evangelho de Marcos

17Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: “Bom Mestre, que farei para alcançar a vida eterna?”.

18Jesus disse-lhe: “Por que me chamas bom? Só Deus é bom.

19Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe”.

20Ele respondeu-lhe: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha mocidade”.

21Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: “Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”.

22Ele entristeceu-se com essas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens.

Lc 18,18-23 Evangelho de Lucas

18Um homem de posição perguntou então a Jesus: “Bom Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”.

19Jesus respondeu-lhe: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.

20Conheces os mandamentos: não cometerás adultério; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honrarás pai e mãe”.

21Disse ele: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade”.

22A essas palavras, Jesus lhe falou: “Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”.

23Ouvindo isso, ele se entristeceu, pois era muito rico.

Evangelho dos Hebreus (em Orígenes) Evangelho dos Hebreus · séc. I Apócrifo

O segundo dos ricos (diz ele) disse-lhe: Mestre, que bem posso fazer para viver? Ele lhe disse: Ó homem, cumpre a lei e os profetas. Ele lhe respondeu: Já os cumpri. Disse-lhe: Vai, vende tudo o que possuis, distribui-o aos pobres e vem, segue-me. Mas o rico começou a coçar a cabeça, e isso não lhe agradou. E o Senhor lhe disse: Como dizes: Cumpri a lei e os profetas? Pois está escrito na lei: Amarás o teu próximo como a ti mesmo; e eis que muitos dos teus irmãos, filhos de Abraão, estão cobertos de imundície, morrendo de fome, e a tua casa está cheia de muitos bens, e nada absolutamente sai dela para eles. E voltou-se e disse a Simão, seu discípulo, que estava sentado junto dele: Simão, filho de Joana, é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.

O maior mandamento

Amar a Deus e ao próximo: a Didaquê faz desses dois mandamentos o começo do “caminho da vida”.

Mt 22,34-40 Evangelho de Mateus

34Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se

35e um deles, doutor da Lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova:

36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”.

37Respondeu Jesus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito (Dt 6,5).

38Esse é o maior e o primeiro mandamento.

39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).

40Nesses dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas”.

Mc 12,28-34 Evangelho de Marcos

28Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”.

29Jesus respondeu-lhe: “O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor;

30amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças.

31Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe”.

32Disse-lhe o escriba: “Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é um só e que não há outro além dele.

33E amá-lo de todo o coração, de todo o pensamento, de toda a alma e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios”.

34Vendo Jesus que ele falara sabiamente, disse-lhe: “Não estás longe do Reino de Deus”. E já ninguém ousava fazer-lhe perguntas.

Lc 10,25-28 Evangelho de Lucas

25Levantou-se um doutor da Lei e, para pô-lo à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”.

26Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na Lei? Como é que lês?”.

27Respondeu ele: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

28Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”.

Didaquê 1,2 Didaquê · séc. I

O caminho da vida, então, é este: primeiro, ama a Deus que te criou; segundo, ama o teu próximo como a ti mesmo

Vigiai, porque não sabeis a hora

A Didaquê termina com um pequeno apocalipse que começa pelas mesmas imagens dos Evangelhos: as lâmpadas acesas, os rins cingidos, a hora que ninguém sabe.

Mt 24,42-44 Evangelho de Mateus

42Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.

43Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.

44Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.”

Lc 12,35-40 Evangelho de Lucas

35“Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.

36Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.

37Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: ele há de cingir-se, dar-lhes à mesa e os servirá.

38Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!

39Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa.

40Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.”

Didaquê 16,1 Didaquê · séc. I

Vigiai sobre a vossa vida. Não se apaguem as vossas lâmpadas, nem se afrouxem os vossos lombos; mas estai preparados, porque não sabeis a hora em que o nosso Senhor virá.

A instituição da Eucaristia

Há duas tradições das palavras da Ceia: a de Mateus e Marcos e a de Lucas e Paulo, que acrescenta “fazei isto em memória de mim”. A Primeira Epístola aos Coríntios, de por volta do ano 55, é o relato escrito mais antigo.

Mt 26,26-29 Evangelho de Mateus

26Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é meu corpo”.

27Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos,

28porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.

29Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai”.

Mc 14,22-25 Evangelho de Marcos

22Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”.

23Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam.

24E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.

25Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus”.

Lc 22,19-20 Evangelho de Lucas

19Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim”.

20Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...

1Cor 11,23-26 1 Coríntios

23Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão

24e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”.

25Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”.

26Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha.

A agonia no Getsêmani

Mateus e Marcos contam três idas de Jesus aos discípulos adormecidos; Lucas, o médico, fala do suor como gotas de sangue.

Mt 26,36-46 Evangelho de Mateus

36Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: “Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar...

37E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.

38Disse-lhes, então: “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo”.

39Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.

40Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: “Então, não pudestes vigiar uma hora comigo...

41Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

42Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!”

43Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados.

44Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.

45Voltou, então, para os seus discípulos e disse-lhes: “Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores...

46Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui”.

Mc 14,32-42 Evangelho de Marcos

32Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto vou orar”.

33Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a ter pavor e a angustiar-se.

34Disse-lhes: “A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai”.

35Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.

36“Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.”

37Em seguida, foi ter com seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: “Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora!

38Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

39Afastou-se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.

40Voltando, achou-os de novo dormindo, porque seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.

41Voltando pela terceira vez, disse-lhes: “Dormi e descansai. Basta! Veio a hora! O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.

42Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar”.

Lc 22,39-46 Evangelho de Lucas

39Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.

40Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: “Orai para que não caiais em tentação”.

41Depois se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava:

42“Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua”.

43Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo.

44Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.

45Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.

46Disse-lhes: “Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação”.

A negação de Pedro

Os quatro Evangelhos guardam a lembrança da queda de Pedro. As primeiras comunidades não tinham por que inventar a fraqueza do primeiro dos apóstolos: contaram-na porque aconteceu, e porque mostrava a misericórdia de quem o perdoou.

Mt 26,69-75 Evangelho de Mateus

69Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: “Também tu estavas com Jesus, o Galileu”.

70Mas ele negou publicamente, nestes termos: “Não sei o que dizes”.

71Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: “Este homem também estava com Jesus de Nazaré”.

72Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: “Eu nem conheço tal homem”.

73Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: “Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer”.

74Pedro, então, começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.

75Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. E saindo, chorou amargamente.

Mc 14,66-72 Evangelho de Marcos

66Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote.

67Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: “Também tu estavas com Jesus de Nazaré”.

68Ele negou: “Não sei, nem compreendo o que dizes”. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou.

69A criada, que o vira, começou a dizer aos circunstantes: “Este faz parte do grupo deles”.

70Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: “Certamente tu és daqueles, pois és galileu.”

71Então, ele começou a praguejar e a jurar: “Não conheço esse homem de quem falais.”

72E imediatamente cantou o galo pela segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe havia dito: “Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás”. E, lembrando-se disso, rompeu em soluços.

Lc 22,54-62 Evangelho de Lucas

54Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe.

55Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles.

56Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: “Também este homem estava com ele”.

57Mas ele negou-o: “Mulher, não o conheço”.

58Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: “Também tu és um deles”. Pedro respondeu: “Não, eu não o sou”.

59Passada quase uma hora, afirmava um outro: “Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu”.

60Mas Pedro disse: “Meu amigo, não sei o que queres dizer.” E, no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo.

61Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então, Pedro se lembrou da palavra do Senhor: “Hoje, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”.

62Saiu dali e chorou amargamente.

Jo 18,15-18.25-27 Evangelho de João

15Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,

16porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

17A porteira perguntou a Pedro: “Não és acaso também tu dos discípulos desse homem?”. – “Não o sou” – respondeu ele.

18Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.

[…]

25Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe: “Não és porventura, também tu, dos seus discípulos?” Negou-o, dizendo: “Não!”.

26Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: “Não te vi eu com ele no horto?”.

27Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou.

A crucificação

O Evangelho segundo Pedro, do século II, segue de perto os Evangelhos, mas diz que Jesus “se calava, como se não sentisse dor nenhuma” — frase que os antigos leram como docetismo, a heresia de que o sofrimento de Cristo teria sido só aparente.

Mt 27,33-44 Evangelho de Mateus

33Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.

34Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber.

35Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando à sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram à sorte (Sl 21,19).

36Sentaram-se e montaram guarda.

37Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: “Este é Jesus, o rei dos judeus”.

38Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda.

39Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam:

40“Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”.

41Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele:

42“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!

43Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!”.

44E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.

Mc 15,22-32 Evangelho de Marcos

22Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.

23Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.

24Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando à sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.

25Era a hora terceira quando o crucificaram.

26A inscrição que motivava a sua condenação dizia: “O rei dos judeus”.

27Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.

28[Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).]

29Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: “Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,

30salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!”.

31Dessa maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: “Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!

32Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos!”. Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.

Lc 23,33-43 Evangelho de Lucas

33Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.

34E Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.

35A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: “Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!”.

36Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:

37“Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo”.

38Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: “Este é o rei dos judeus”.

39Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!”.

40Mas o outro o repreendeu: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?

41Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.”

42E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!”.

43Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso”.

Jo 19,17-24 Evangelho de João

17Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.

18Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

19Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus”.

20Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego.

21Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: “Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus”.

22Respondeu Pilatos: “O que escrevi, escrevi”.

23Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.

24Disseram, pois, uns aos outros: “Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.

Ev. segundo Pedro 4,10-14 Evangelho Segundo Pedro · séc. II Apócrifo

Trecho marcado: Docetismo

E trouxeram dois malfeitores e crucificaram o Senhor entre eles. Mas ele se calava, como se não sentisse dor nenhuma. E, depois de erguerem a cruz, escreveram o título: “Este é o rei de Israel”. E, tendo posto as suas vestes diante dele, repartiram-nas entre si e lançaram sortes sobre elas. E um daqueles malfeitores os repreendeu, dizendo: “Nós sofremos isto pelos males que fizemos; mas este, que se tornou o Salvador dos homens, que mal vos fez?” E eles, irritados com ele, ordenaram que não lhe quebrassem as pernas, para que morresse em tormentos.

O sepulcro vazio

Em todos os relatos, as primeiras testemunhas do sepulcro vazio são mulheres, cujo testemunho nem era aceito nos tribunais da época — um detalhe que ninguém teria inventado para convencer.

Mt 28,1-8 Evangelho de Mateus

1Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.

2E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela.

3Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve.

4Vendo isso, os guardas pensaram que morreriam de pavor.

5Mas o anjo disse às mulheres: “Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.

6Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou.

7Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse”.

8Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a Boa-Nova aos discípulos.

Mc 16,1-8 Evangelho de Marcos

1Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.

2E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.

3E diziam entre si: “Quem removerá a pedra do sepulcro para nós?”.

4Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande.

5Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se.

6Ele lhes falou: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram.

7Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse”.

8Elas saíram do sepulcro e fugiram trêmulas e amedrontadas. E a ninguém disseram coisa alguma por causa do medo.

Lc 24,1-12 Evangelho de Lucas

1No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado.

2Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro.

3Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.

4Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes.

5Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?

6Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galileia:

7O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia”.

8Então, elas se lembraram das palavras de Jesus.

9Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.

10Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.

11Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito.

12Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera.

Jo 20,1-10 Evangelho de João

1No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.

2Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!”.

3Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.

4Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.

5Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.

6Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.

7Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.

8Então, entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.

9Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.

10Os discípulos, então, voltaram para as suas casas.

Ev. segundo Pedro 12-13 Evangelho Segundo Pedro · séc. II Apócrifo

Ao amanhecer do dia do Senhor, Maria Madalena, discípula do Senhor, que, por medo dos judeus, porque ardiam de ira, não tinha feito junto ao sepulcro do Senhor o que as mulheres costumam fazer pelos que morrem e por aqueles a quem amam, tomou consigo as suas amigas e foi ao sepulcro onde ele fora posto.

[…]

E foram e encontraram o sepulcro aberto; e, aproximando-se, olharam para dentro; e veem ali um jovem sentado no meio do sepulcro, belo e vestido com uma veste resplandecente, que lhes disse: “Por que viestes? A quem procurais? Àquele que foi crucificado? Ressuscitou e partiu. Se não credes, olhai para dentro e vede o lugar onde jazia, que ele não está [aqui]; pois ressuscitou e partiu para o lugar de onde fora enviado”. Então as mulheres tiveram medo e fugiram.

Batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo

A Didaquê é o primeiro texto, fora do Novo Testamento, a descrever como se batizava: com a fórmula trinitária de Mateus, de preferência em “água viva”, isto é, corrente.

Mt 28,18-20 Evangelho de Mateus

18Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.

19Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

20Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Didaquê 7,1 Didaquê · séc. I

E quanto ao batismo, batizai desta maneira: tendo primeiro dito todas estas coisas, batizai em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, em água viva.

Os textos bíblicos e os demais estão nas traduções usadas no acervo; toque na referência para ler o trecho no seu contexto. Os apócrifos são apresentados como documentos históricos: não pertencem ao cânon das Escrituras.