Sucessão episcopal das grandes sés
Os bispos de Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém até cerca do ano 500. Desde o século II, os Padres apontam a sucessão dos bispos desde os apóstolos como garantia de que a fé é a mesma que eles pregaram. O conjunto das cinco sés seria chamado depois de pentarquia; entre elas, Roma tem o primeiro lugar, como sé de Pedro.
Quem era bispo no ano
Roma
Hoje: Roma, Itália
A Igreja fundada sobre o testemunho e o martírio de Pedro e Paulo. Desde o século II, Ireneu de Lyon apresenta a lista dos seus bispos como critério da fé apostólica, e já no fim do século I Clemente intervém em nome dela na Igreja de Corinto. A lista e as datas abaixo seguem o Anuário Pontifício; até o século III, as datas são as da tradição e aproximadas.
- 1 Pedro até 64 Apóstolo; morreu mártir sob Nero, c. 64–67
- 2 Lino 67–76 Citado por Paulo (2Tm 4,21), segundo Ireneu
- 3 Anacleto (Cleto) 76–88
- 4 Clemente I 88–97 Escreveu à Igreja de Corinto
- 5 Evaristo 97–105
- 6 Alexandre I 105–115
- 7 Sisto I 115–125
- 8 Telésforo 125–136 Mártir, segundo Ireneu
- 9 Higino 136–140
- 10 Pio I 140–155 Irmão de Hermas, segundo o Fragmento Muratoriano
- 11 Aniceto 155–166 Recebeu Policarpo de Esmirna
- 12 Sotero 166–175
- 13 Eleutério 175–189 Último da lista de Ireneu
- 14 Vítor I 189–199 Controvérsia sobre a data da Páscoa
- 15 Zeferino 199–217
- 16 Calisto I 217–222 Mártir
- 17 Urbano I 222–230
- 18 Ponciano 230–235 Exilado nas minas da Sardenha com Hipólito; renunciou
- 19 Antero 235–236
- 20 Fabiano 236–250 Mártir na perseguição de Décio
- 21 Cornélio 251–253 Contra o cisma de Novaciano; morreu no exílio
- 22 Lúcio I 253–254
- 23 Estêvão I 254–257 Controvérsia com Cipriano sobre o batismo dos hereges
- 24 Sisto II 257–258 Mártir com seus diáconos na perseguição de Valeriano
- 25 Dionísio 259–268
- 26 Félix I 269–274
- 27 Eutiquiano 275–283
- 28 Caio 283–296
- 29 Marcelino 296–304 Perseguição de Diocleciano
- 30 Marcelo I 308–309 Sé vacante de 304 a 308
- 31 Eusébio 309 Exilado na Sicília
- 32 Milcíades 311–314 Edito de Milão (313)
- 33 Silvestre I 314–335 Enviou legados ao Concílio de Niceia
- 34 Marcos 336
- 35 Júlio I 337–352 Acolheu Atanásio no exílio
- 36 Libério 352–366 Exilado por Constâncio II
- 37 Dâmaso I 366–384 Pediu a Jerônimo a revisão da Bíblia latina
- 38 Sirício 384–399 A mais antiga decretal conservada (385)
- 39 Anastácio I 399–401
- 40 Inocêncio I 401–417 Saque de Roma pelos godos (410)
- 41 Zósimo 417–418
- 42 Bonifácio I 418–422
- 43 Celestino I 422–432 Condenou Nestório; legados em Éfeso
- 44 Sisto III 432–440 Basílica de Santa Maria Maior
- 45 Leão I 440–461 Tomo a Flaviano; Concílio de Calcedônia
- 46 Hilário 461–468
- 47 Simplício 468–483 Fim do Império do Ocidente (476)
- 48 Félix III 483–492 Excomungou Acácio de Constantinopla (484)
- 49 Gelásio I 492–496
- 50 Anastácio II 496–498
- 51 Símaco 498–514
Antipapas
Eleitos ou impostos contra o bispo legítimo de Roma.
Constantinopla
Hoje: Istambul, Turquia
Bizâncio era uma sé pequena até Constantino fazer dela a nova capital, em 330. O Concílio de 381 deu ao seu bispo o primeiro lugar depois do de Roma, “porque Constantinopla é a nova Roma”, e o cânon 28 de Calcedônia (451) quis ampliar seus direitos, mas Leão I não o aprovou. A lista de bispos anteriores a Metrófanes, que remonta ao apóstolo André, é tardia e lendária.
- 1 Metrófanes 306–314 Bispo de Bizâncio
- 2 Alexandre 314–337 Opôs-se a Ário
- 3 Paulo I 337–351 Niceno; três vezes deposto e restituído, morreu no exílio
- 4 Eusébio de Nicomédia Intruso 339–341 Chefe do partido ariano; batizou Constantino
- 5 Macedônio I Intruso 342–360 Negava a divindade do Espírito Santo (pneumatômacos)
- 6 Eudóxio Intruso 360–370 Ariano
- 7 Demófilo Intruso 370–380 Ariano; deposto por Teodósio
- 8 Gregório de Nazianzo 379–381 Niceno; renunciou durante o Concílio
- 9 Nectário 381–397 Eleito ainda catecúmeno
- 10 João Crisóstomo Deposto 398–404 Deposto e exilado; Roma não reconheceu a deposição
- 11 Arsácio 404–405
- 12 Ático 406–425
- 13 Sisínio I 426–427
- 14 Nestório Deposto 428–431 Deposto no Concílio de Éfeso (nestorianismo)
- 15 Maximiano 431–434
- 16 Proclo 434–446
- 17 Flaviano Deposto 446–449 Condenou Eutiques; deposto no “latrocínio” de Éfeso e morto em consequência
- 18 Anatólio 449–458 Concílio de Calcedônia
- 19 Genádio I 458–471
- 20 Acácio Fora da comunhão com Roma 471–489 Henótico (482); excomungado por Roma em 484: cisma acaciano até 519
- 21 Fravita Fora da comunhão com Roma 489–490
- 22 Eufêmio Fora da comunhão com Roma 490–496
- 23 Macedônio II Fora da comunhão com Roma 496–511
Alexandria
Hoje: Alexandria, Egito
Segundo a tradição, fundada pelo evangelista Marcos. Foi a segunda sé do Império até 381 e o centro da teologia de Atanásio e de Cirilo. Depois de Calcedônia (451), a Igreja de Alexandria se dividiu entre os que aceitaram o concílio, em comunhão com Roma, e os que o rejeitaram, origem da atual Igreja copta; as datas dos primeiros bispos são as da tradição.
- 1 Marcos até 68 Evangelista, segundo a tradição
- 2 Aniano 68–82
- 3 Avílio 83–95
- 4 Cerdão 96–106
- 5 Primo 106–118
- 6 Justo 118–129
- 7 Eumenes 131–141
- 8 Marcos II 142–152
- 9 Celadião 152–166
- 10 Agripino 167–178
- 11 Juliano 178–189
- 12 Demétrio 189–232 Rompeu com Orígenes
- 13 Héraclas 232–248 Discípulo de Orígenes
- 14 Dionísio 248–264
- 15 Máximo 265–282
- 16 Teonas 282–300
- 17 Pedro I 300–311 Mártir
- 18 Áquilas 312–313
- 19 Alexandre I 313–328 Condenou Ário
- 20 Atanásio 328–373 Cinco vezes exilado; no seu lugar, os arianos Gregório (339–346) e Jorge (357–361)
- 21 Pedro II 373–380 Exilado; o ariano Lúcio ocupou a sé (375–378)
- 22 Timóteo I 380–385
- 23 Teófilo 385–412 Presidiu o sínodo que depôs João Crisóstomo (403)
- 24 Cirilo 412–444 Concílio de Éfeso
- 25 Dióscoro I Deposto 444–451 Deposto em Calcedônia
- 26 Protério 451–457 Calcedonense; assassinado
- 27 Timóteo Eluro Fora da comunhão com Roma 457–477 Contrário a Calcedônia
- 28 Timóteo Salofaciolo 460–482 Calcedonense
- 29 João Talaia 482 Calcedonense; expulso, refugiou-se em Roma
- 30 Pedro Mongo Fora da comunhão com Roma 482–490 Aceito por Constantinopla pelo Henótico
- 31 Atanásio II Fora da comunhão com Roma 490–496
- 32 João I Hemula Fora da comunhão com Roma 496–505
Antioquia
Hoje: Antakya, Turquia
Onde os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez (At 11,26). A tradição tem Pedro como o seu primeiro bispo, antes de Roma. No século IV, a crise ariana dividiu a Igreja local em grupos rivais (o “cisma de Antioquia”), e no fim do século V a sé oscilou entre partidários e adversários de Calcedônia; as datas dos primeiros bispos são as da tradição.
- 1 Pedro datas desconhecidas Apóstolo, segundo a tradição
- 2 Evódio 53–68
- 3 Inácio 68–107 Mártir em Roma
- 4 Héron 107–127
- 5 Cornélio 127–151
- 6 Éros 151–169
- 7 Teófilo 169–182
- 8 Maximino 182–191
- 9 Serapião 191–211
- 10 Asclepíades 211–220
- 11 Fileto 220–231
- 12 Zebino 231–237
- 13 Bábilas 237–250 Mártir na perseguição de Décio
- 14 Fábio 251–253
- 15 Demetriano 253–260
- 16 Paulo de Samósata Deposto 260–268 Deposto por negar a divindade de Cristo (adocionismo)
- 17 Domno I 268–273
- 18 Timeu 273–282
- 19 Cirilo 283–303
- 20 Tirano 304–314
- 21 Vital 314–320
- 22 Filogônio 320–323
- 23 Eustácio Deposto 324–330 Niceno, deposto pelos arianos; seguiram-se bispos arianos até 360
- 24 Eudóxio Intruso 358–359 Ariano
- 25 Melécio 360–381 Exilado três vezes; presidiu o início do Concílio de 381. Em rivalidade, Paulino (362–388), reconhecido por Roma
- 26 Flaviano I 381–404 Ordenou João Crisóstomo presbítero
- 27 Porfírio 404–413
- 28 Alexandre 413–417 Pôs fim ao cisma de Antioquia
- 29 Teódoto 417–428
- 30 João I 428–442 Fórmula de União com Cirilo (433)
- 31 Domno II Deposto 442–449 Deposto no “latrocínio” de Éfeso
- 32 Máximo II 449–455
- 33 Basílio 456–458
- 34 Acácio 458–459
- 35 Martírio 459–470
- 36 Pedro Fulão Fora da comunhão com Roma 470–488 Contrário a Calcedônia; ocupou a sé três vezes
- 37 Juliano 471–475
- 38 Estêvão II 477–479
- 39 Calândio 479–484
- 40 Paládio Fora da comunhão com Roma 488–498
- 41 Flaviano II 498–512
Jerusalém
Hoje: Jerusalém
A Igreja-mãe, onde o Espírito desceu em Pentecostes. Seus primeiros quinze bispos, de Tiago a Judas, eram de origem judaica (Eusébio); depois da revolta de Bar Kochba (135), a cidade virou Élia Capitolina e a Igreja passou a ter bispos gentios, sob a autoridade do metropolita de Cesareia. Só em 451 Calcedônia fez de Jerusalém um patriarcado. As datas anteriores ao século III são desconhecidas.
- 1 Tiago até 62 “Irmão do Senhor”; mártir em 62
- 2 Simeão 62–107 Filho de Clopas; mártir sob Trajano
- 3 Justo I, Zaqueu, Tobias, Benjamim, João, Matias, Filipe, Sêneca, Justo II, Levi, Efrém, José e Judas até 135 Os bispos “da circuncisão”, segundo Eusébio; datas desconhecidas
- 4 Marcos desde 135 Primeiro bispo gentio
- 5 Cassiano, Públio, Máximo I, Juliano I, Caio I, Símaco, Caio II, Juliano II, Capitão, Máximo II, Antonino, Valente e Dolicano datas desconhecidas Datas desconhecidas
- 6 Narciso 185–213 Viveu mais de cem anos, segundo Eusébio
- 7 Alexandre 213–251 Fundou uma biblioteca; mártir na perseguição de Décio
- 8 Mazabanes 251–260
- 9 Himeneu 260–276
- 10 Zabdas 276–283
- 11 Hermão 283–314
- 12 Macário I 314–333 Construção da basílica do Santo Sepulcro
- 13 Máximo III 333–348
- 14 Cirilo 350–386 Exilado três vezes
- 15 João II 387–417
- 16 Prailo 417–422
- 17 Juvenal 422–458 Primeiro patriarca (451)
- 18 Anastácio I 458–478
- 19 Martírio 478–486
- 20 Salústio 486–494
- 21 Elias I 494–516